
Onde tem petróleo, tem fogo. Não? Ora, olhe para o pessoal do leste. Aqui, o efeito do jorro (¡) do ouro negro bem no Centrão não só vai obrigar os camelôs itinerantes da estátua do Cólon a procurar sua turma, mas deixou a polícia (carinhosamente conhecida por Mossos d'Escuadra) em estado de espírito quarto-mundista.
Mas vamos por partes:
2 > Durante anos, do alto de torre de 60 metros ao sul das Ram-Ramblas (turistas + malandros + putanas + freedie + hash), a estátua de um orgulhoso Colombo tem apontado para frente distraindo a todos. Agora alguém resolveu olhar para baixo e encontrou petróleo aos pés do grande descobridor - convertido aqui em encobridor tras ocultar tamanha riqueza por anos. Calcula-se que quando as explorações atingirem força total, Barcelona vai abrir mão do turismo como indústria primordial para sua sobrevivência e dedicar-se full time aos combustíveis fósseis (uma mistura de gregos e romanos de safras antiqüíssimas, agora líquidos, negros e escorregadios).
4 > A polícia, os mossos, ora, desceram o cacete em estudantes, jornalistas e quem mais estivesse pela frente (ou por trás) em manifestação de universitários contra a polêmica reforma do sistema educacional Europeo (Plano Bologna, nada a ver com pizza, por enquanto). Investigações, arremesso de tintas, sindicatos e ¡oba-oba! são parte da repercussão que, como as filas do desemprego, não pára de crescer. (
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7 > O colapso como propulsor de revoluções sociais partindo de novas propostas arquitetônicas. Em sua quarta edição, o
festival de arquitetura EME3 pretende investigar soluções inovadoras valendo-se de uma salada de instalações de estudantes (muitas) e a presença de pensadores (poucos) como o filósofo parisiense Gilles Lipovetsky (já disse, Paris, 1944).
Essa mescla de visões vem acontecendo no coração da cidade velha, o Raval, bairro que não é estranho a transformações radicais e demandas sociais urgentes em andamento.
Exageradamente considerado o
Sonar da arquitetura, o EME3 numa primeira olhadela me pareceu mais uma competição de maquetes escolares (muito isopor e papelão, pouca inovação). A proposta que mais me chamou atenção foi a sarcástica idéia para uma cidade emergencial, a ser montada num transatlântico de luxo para abrigar cerca de 2000 pessoas quando a sociedade como a conhecemos finalmente pifar e a luz vermelha do salve-se quem puder começar a gritar. A fina ironia do conceito e a forma visual como foi detalhado obtiveram resultado interessante.
No mais, a quantidade de material gasto para chamar a atenção para a era de consumo turbinado, desperdício e perda de identidade de bairros tradicionais da cidade que agora entram em choque com turismo 3.0 por atacado são uma contradição por si só.
Gilles Lipovetsky (
La société de déception, L'écran global, Les temps hypermodernes) ficaria chocado com os kilos de material que vão para o lixo hoje à noite quando a turma do festival empacotar tudo e, junto das pouco competentes e nada simpáticas assessoras de imprensa do evento, celebrarem a esperança que ainda resta de acordo com o filósofo - com muita pizza e
poro.
1 > Sin, hay contradicciones y, por lo tanto, queda esperanza. A cidade começa a produzir milhões de folhas para a primavera e, olhasó, Penélope estreou e enquanto o ônibus não vem, miramos seu rostinho grandão nas cores do sombrio Abrazos Rotos, drama fresco que acaba de sair do forno almodovariano.